Santo Domingo em um dia: o que vale a viagem desde Punta Cana
Santo Domingo fica a duas horas e meia a oeste de Punta Cana por uma boa rodovia, e é uma das razões pelas quais muita gente acaba feliz por ter alugado um carro. Os ônibus de excursão fazem a mesma viagem. Fazem com horário fixo, almoço fixo, e deixam a Zona Colonial exatamente na hora em que ela fica agradável.
Eis como fazer o mesmo dia no seu ritmo, com os números de que você precisa.
Como chegar
Cerca de 200 km pela Autovía del Coral e depois pela Autopista del Este. As duas são rodovias de verdade. E estão em bom estado. As praças cobram RD$100 por carro e você passará por três ou quatro, então ponha RD$800 em notas pequenas no porta-objetos da porta e esqueça o assunto.
Saia de Bávaro às sete e estará estacionando na capital antes das onze. Saia às nove e chegará no trânsito da cidade, que é uma experiência completamente diferente.
Los Tres Ojos, no caminho
O parque fica na borda leste da cidade, ou seja, exatamente na sua rota, antes de qualquer trânsito digno do nome. Pare aqui primeiro.
O que é: um sistema de cavernas desabado com três lagoas de água doce abertas abaixo do nível do solo, mais uma quarta alcançada numa balsa puxada à mão. A água é espantosamente clara. A luz desce pelas aberturas do teto em colunas. As fotos não dão conta. Não faz diferença.
A entrada custa pouco, em pesos, paga em dinheiro na bilheteria do ministério; a balsa até a quarta lagoa custa um pouco mais. Cartões não são confiáveis aqui, então leve notas. Os portões abrem às nove, e a hora entre nove e dez é sua, antes de chegarem os ônibus vindos dos resorts.
Reserve uma hora. Os degraus descem molhados e irregulares.
A Zona Colonial
Deixe o carro na borda, num estacionamento vigiado — algumas centenas de pesos pelo dia — e caminhe. Isto não é uma reflexão sobre charme. Aquelas ruas foram abertas para pedestres e cavalos no começo do século XVI, e um carro moderno dentro delas é um problema lento e largo procurando onde dar meia-volta.
A Calle Las Damas é a rua pavimentada mais antiga das Américas, e percorrê-la é a coisa mais barata desta página. Fachadas do século XVI, palácios, um museu aqui e ali, e sombra durante boa parte do dia.
O Alcázar de Colón é a casa que Diego Colombo construiu para si e para María de Toledo na década de 1510, e a residência vice-real mais antiga que sobreviveu nas Américas. Está mobiliado como um interior de época em vez de deixado em pedra nua, o que faz dele um dos poucos prédios daqui em que se percebe como os cômodos eram usados. A entrada custa RD$100, abre de terça a domingo das 9:00 às 18:00 e fecha às segundas — vale conferir contra o seu dia antes de dirigir duas horas.
Ele fica na Plaza de España, que é onde você vai querer comer. O que nos leva à taverna.
O Pat’e Palo serve nessa praça desde 1505 e reivindica o título de primeira taverna do Novo Mundo. Hoje é uma brasserie europeia com terraço de frente para o Alcázar, e não é barata. Parte do que você paga é o endereço. Tome um café ali se preferir almoçar em outro lugar: o terraço é o ponto.
Duas coisas que quase todo mundo pula
O Faro a Colón é um monumento enorme em forma de cruz do outro lado do rio Ozama, construído para guardar o que a República Dominicana sustenta serem os restos de Cristóvão Colombo. Foi consagrado por João Paulo II em 1992, e o papamóvel daquela visita continua estacionado ali perto. O facho que lhe dá nome só é ligado em grandes datas nacionais, e quando é, desenha uma cruz nas nuvens visível a quilômetros.
Divide opiniões: o prédio é monumental no sentido pesado dos anos oitenta e o bairro em volta foi removido para abrir espaço. Vá pela escala e pela história, não por uma hora agradável.
O teleférico não é uma atração turística e é exatamente aí que está a graça. É um teleférico de transporte urbano, construído para levar gente dos bairros da margem leste até a cidade, e liga quatro estações ao longo de uns cinco quilômetros: Gualey, Los Tres Brazos, Sabana Perdida e Charles de Gaulle. A viagem custa RD$20 e a mesma passagem dá baldeação para o metrô.
Da cabine você olha para baixo e vê a vida comum: escolas, colmados, roupa no varal, futebol no cimento, o rio e suas pontes. É limpo. É silencioso. E é perfeitamente banal para todos os outros que estão na cabine com você. Comporte-se de acordo, guarde o celular nas estações, e será uma das meias horas mais honestas que se pode passar nesta cidade.
A ordem que funciona
Partida às sete. Los Tres Ojos das nove às dez. Estacionado na borda da Zona Colonial por volta das onze, e dali a pé: Las Damas, o Alcázar, almoço na Plaza de España e as ruas no meio disso até a luz amolecer por volta das cinco.
Se ainda houver disposição, dirija até o Faro antes do jantar. Se não, jante na Zona e pegue a estrada às oito, quando a Autopista del Este está vazia e o percurso leva menos que as duas horas e meia da ida.
Uma observação prática para a volta: as saídas da Coral são bem espaçadas e a sinalização pressupõe conhecimento local. Carregue a rota antes de sair do estacionamento, e não a 100 km/h no escuro.
Onde comer
Sobre comida na capital temos uma lista à parte — vinte e tantos lugares por bairro e pelo que fazem realmente bem, da cozinha dominicana aos peruanos e japoneses que a cidade faz melhor do que se espera.
E se o carro ainda não estiver resolvido: alugar em Punta Cana inclui seguro e quilometragem livre, o que num ida e volta de 400 km não é detalhe.
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